David Wang e A arte de ver a VIDA
"A função da arte não é a de passar por portas abertas, mas a de abrir portas fechadas
Thursday, November 24, 2005
Friday, November 18, 2005
Tuesday, November 15, 2005
Saturday, November 12, 2005
Wednesday, November 09, 2005
Wednesday, November 02, 2005
Nunca estive tão só. Até o som de minha voz parece estranho e envelhecido. As fotos na parede amplificam a solidão, o blues abre a porta de meu quarto escuro e inunda-o de outras sombras. Não reflito sobre a beleza da palavra solitude, nem na sonoridade da palavra soledade, nem na sinonímia destas com a solidão. Apenas sinto fluir o silêncio das paredes que insistem em angustiar-me com canções tristes de um passado triste cheio de promessas de um futuro sem fé.Nunca estive tão só e dessa vez não vi a face bela da filha da solidão: a paz. Mas a solidão não tem apenas uma filha, hoje o sei; irmã gêmea da paz é a angústia e com ela divido meu pranto mudo e meu canto de dor.Nunca estive tão só e ecoa a solidão na voz dos que me falam. A frivolidade vomitada na vã vontade de me livrarem de meus algozes interiores. Minha falsidade hermética me faz expelir sorrisos mecânicos, acompanhados de frases superficiais e convenientes.Abraço-me só, num canto escuro, mastigo o medo e me permito fluir na densidade gelatinosa da solidão. Nunca estive tão só...
Luiz Roberto Lins Almeida



















